abril 09, 2005

por aqui, semana bem mais terrena

pois que mais posso contar-vos da minha semana senão a verdadeira história

do meu amigo Rui, que nos consome há quase dois anos ( mais coisa menos

coisa) e que teve agora o seu desfecho trágico... cómico... trágico...

qualquer semelhança com a realidade, como devem calcular, não é pura

coincidência.

então foi assim:

na primavera de 2003, o Rui tinha conseguido juntar um dinheirinho e resolveu

trocar de carro ( para muita pena minha, pois o toyota corola tinha mais

histórias para contar do tempo da faculdade que nós próprios, os protagonistas

das mesmas, mas adiante).

bom... conhecedor do meu profundo desgosto na troca, naquele dia factidico,

convidou-me a ir com ele até ao stand.

ia tão contente, tão contente que me esqueci rapidamente do corola.

esta coisa dos homens e dos carros não tem explicação lógica e por isso não

estranhei as suas certezas quando se dirigiu ao proprietário já com um

determinado modelo na cabeça. mais conversa menos conversa, acabou por

encomendar, não aquele modelo mas um modelo novo que a fábrica fizera para

substituir aquele, ainda indisponivel nos stands mas que vimos no catálogo e

que, juntamente com os elogios técnicos do dono do stand, acabou por nos

encantar.

lá deu o rapaz a entrada solicitada e ficou à espera que saíssem os novos

carros enquanto aproveitámos o verão para nos despedirmos convenientemente

do corola.

se eu vos disser que quando fomos buscar o carro, na volta que demos para o

experimentar, o carro foi literalmente aos soluços desde que saimos do stand

até que chegámos; se vos disser que o proprietário nos tentou convencer que

os soluços eram normais num carro como aquele; se vos disser que nos

"explicou" que os soluços não se verificariam quando o carro estivesse cheio de

gente e mercadoria; se vos disser que o Rui se recusou pagar o carro e que

se encontra há dois anos em tribunal, vocês acreditam?!

eu também não acreditava se não tivesse presenciado a encomenda, o teste à

chegada e se não tivesse estado perante o juiz na quarta feira a tentar

justificar o que me parecia que ser obvio e que nas palavras do advogado, se

traduzia na falta de conformidade entre o bem e o contrato.

se vos disser que o "meritissimo" juiz do alto da sua sabedoria só queria

saber se eu tinha visto o Rui a especificar ao proprietário do stand que não

queria um carro que soluçasse, se eu tinha visto o Rui informar

o dito cujo que o carro seria para ser usado só no transporte da sua pessoa e

não para encher de gente e se eu tinha visto o Rui recusar-se a entregar a

quantia restante para pagamento do carro, vocês acreditavam?

inda vim de lá zonza! atão...mas...

pois fiquem sabendo que nem o meu testemunho sobre a compra, dando a

certeza de que o stand não tinha informado o Rui que o carro soluçava, de que

o stand não tinha informado de que para minimizar o soluço, o carro teria que

estar cheio, nem o testemunho do engenheiro que experimentou por duas vezes

o carro comprovando que os soluços não eram normais e que não havia

qualquer garantia de que com o carro cheio o "problema" passasse, nada de

nada demoveu o juiz da sua certeza de que uma vez que o Rui não tinha

especificado ao stand que não queria um carro que soluçasse e que queria um

carro para andar só com ele, eventualmente, com mais alguém, não existia

falta de conformidade do bem com o contrato, pois o stand não iria adivinhar

que a pessoa queria um carro que andasse, cheio ou vazio, sem soluços.


como referi, qualquer semelhança entre a história do Rui e a relalidade não

é pura coincidência e se quiserem evitar o tal stand e principalmente o tal

senhor doutor juiz, sabem onde me encontrar.


ah, o Rui!

o Rui teve que pagar o resto do carro ao stand e ainda está em estado de

choque com o facto de ter a garagem ocupada com o dito carro, meu rico

toyota corolla.


Publicado por M&M em abril 9, 2005 09:09 AM
Comentários

Grave, grave, é o desprezo com que o meretíssimo juíz aplica a Lei do Consumidor. Valha-nos Deus!

De que nos serve ter leis, quando nem os juízes as reconhecem? :( :( :(

Afixado por: if em abril 9, 2005 11:06 AM

será que o senhor juiz ganhou um toyota de oferta?

Afixado por: galgaveloz em abril 9, 2005 01:30 PM

Digam-me que esta história é mentira... Ou que se passou no EUA. Por favor!

Afixado por: Carlota em abril 9, 2005 04:47 PM

eu bem digo que depois dos empregados das finanças as piores criaturas que habitam o planeta terra são os juizes...mas ninguem me liga:))))

Afixado por: annie hall em abril 10, 2005 04:46 PM

Mas isto é mesmo verdade?

Bom... a mim aconteceu-me comprar um diesel 2.0 topo de uma determinada gama e ficar na estrada, isto é na serra do Algarve sem saber onde estava, apenas com 24000 Km e a resposta do assistente foi: as crianças também adoecem. Mais- depois de três cenas seguidas eu enviei um faxe ao director comercial da marca em questão ameacei pôr em tribunal ( pelos vistos não resolvia nada) mas lá me arranjaram definitivamente o que era um defeito de origem.

Agora essa é demais!...

Afixado por: João Norte em abril 17, 2005 07:56 PM